Krokodil - Desomorfina
Um problema emergente [3] [4] [9] [12] [13] [14]:
Atualmente, não existe um panorama fiável da disseminação do “krokodil”. Apesar disto, mais de 50 cidades distintas referiam o uso da droga ou ferimentos em pessoas que poderiam ter sido provocados por esta. A Rússia e a Ucrânia são os países com maior taxa de incidência, no entanto o uso abusivo da drogo está a aumentar exponencialmente na Geórgia e Cazaquistão. Existe a evidência de que o uso do “krokodil” dispersou-se até à Polónia, República Checa, França, Bélgica, Suécia, Noruega e outros países europeus.
Poderá verificar o panorama epidemiológico da disseminação do “Krokodil” através do mapa interativo.
Casos Reportados:
Rússia:
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2003 – Neste ano foi relatado o primeiro caso do uso de “krokodil”, ou seja do uso de desomorfina como droga que provocaria efeitos semelhantes aos da heroína.
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2008 – Neste ano, a Rússia possuía uma elevada percentagem de pessoas que injetavam drogas, de cerca de 2 milhões, cerca de 2,3% da população russa usava opióides e 1,4% usava heroína. Estes números são aterradores, quando comparados com uma prevalência de 0,4% de uso de opiáceos na Europa ocidental e central. Cerca de 5% dos 2 milhões de pessoas que usam drogas na Rússia (aproximadamente 100.000 pessoas), já teriam usado “krokodile”. Tendo em conta o apresentado, torna-se imprescindível a iniciação de estudos epidemiológicos na Rússia, de forma a perceber a realidade e impacto desta nova droga.
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2009 – O “krokodil” começou a ser amplamente utilizada, estima-se que este uso exponencial deveu-se à restrição de fornecimento de heroína e outros opiáceos pelo mercado do Afeganistão.
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2009 – 2011 - A sua utilização tem propagado para vários locais, inclusive para os centros urbanos na Rússia.
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1 de junho de 2012 – Dado o número crescente de usuários do “krokodil”, foi proibido a venda livre dos medicamentos contendo codeína, através de um documento legislativo. Apesar desta nova norma desencadear uma baixa do uso de “Krokodil”, esta não o suprimiu, pois a codeína continuou a ser vendida no mercado negro.
Ucrânia:
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2011 - Na Ucrânia, após uma pesquisa nacional verificou-se que 7% das pessoas que injetavam drogas já tinham usado “krokodil” (aproximadamente 20.000). Percebeu-se quais as cidades com maior incidência: Uzhhorod (35,6%), Simferopol (26,9%), Kiev (21,7%), Chernivtsi (15,5%) e Donetsk (12,6%). Estas percentagens refletem o difícil acesso da heroína na Ucrânia e por isso uma maior predisposição para a elaboração de drogas em casa.
EUA:
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2011 - O uso de “Krokodil” foi descrito nos EUA (Chicago). Tendo em conta os relatórios do médico responsável, os pacientes não estavam cientes de que estavam a usar “krokodil”, apenas declararam o facto de terem comprado heroína mais barata.
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2013 - Em Phoenix, Arizona, o the Banner and Poison Control Center descreveu os primeiros casos de uso do “Krokodil”. No mesmo ano, em outubro foram relatados mais sete pacientes hospitalizados devido ao uso da droga, em Illinois. Posteriormente foi relatado um caso em Utah, dois casos em Arizona e dois casos em Oklahoma. O uso de “ Krokodil” está a disseminar-se por todo o país, no entanto é necessário realçar, que inicialmente os toxicodependentes que usavam este cocktail não estavam conscientes do que estavam a usar, usavam-no pensando que se tratava de heroína mais barata (custo 10 x inferior) e com uma ação muito mais intensa do que o normal. Na região Okahoma, o Oklahoma Bureau of Narcotics, relatou, após autópsia, a morte de dois homens devido ao abuso de “Krokodil”.
Reino Unido:
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2013 - O uso desta nova droga, "Krokodil", também já foi relatado na Europa Ocidental. Em Gloucester, Gloucestershire, um médico descreveu um caso de abuso de “Krokodil", por um homem que possuía já um ferimento grave no braço, com exposição de ossos e tendões. Posteriormente foi relatado outro caso de uma mulher de 35 anos que já estaria viciada nesta droga.
Alemanha:
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Outubro 2011 - Vários jornais alemães começaram a relatar o uso de “krokodil” em distintas regiões da Alemanha como: Bochum (Düsseldorf) ou Frankfurt. Foram relatados 4 casos de vítimas desta nova droga na Alemanha, que apresentavam as lesões dermatológicas típicas, após terem misturado o “krokodil” com heroína. Estes factos desencadearam a emissão de um alerta nacional sobre este droga em 2011 (Deutsche Gesellschaft für Suchtmedizin (DGS), 2011), de modo a informar os cidadãos sobre os malefícios e perigos inerentes ao uso deste cocktail bastante tóxico.
[3] - Alves, E. A., Grund, J. P. C., Afonso, C. M., Netto, A. D. P., Carvalho, F., & Dinis-Oliveira, R. J. (2015). The harmful chemistry behind krokodil (desomorphine) synthesis and mechanisms of toxicity. Forensic science international, 249, 207-213.
[4] - Katselou, M., Papoutsis, I., Nikolaou, P., Spiliopoulou, C., & Athanaselis, S. (2014). A “Krokodil” emerges from the murky waters of addiction. Abuse trends of an old drug. Life sciences, 102(2), 81-87.
[9] - Grund, J. P. C., Latypov, A., & Harris, M. (2013). Breaking worse: the emergence of krokodil and excessive injuries among people who inject drugs in Eurasia. International Journal of Drug Policy, 24(4), 265-274.
[12] - ccsa.ca/Resource%20Library/ccsa-CCENDU-Desomorphine-Bulletin-2013-en.pdf (consultado a 24/05/2015)
[13] - dailymail.co.uk/news/article-2465422/Krokodil-drug-2-cases-suspected-US.html (consultado a 24/05/2015)
[14] - thelocal.de/20111012/38161 (consultado a 24/05/2015)
Todas as imagens deste slideshow foram retiradas de "The World’s Deadliest Drug: Inside a Krokodil Cookhouse"; time.com/3398086/the-worlds-deadliest-drug-inside-a-krokodil-cookhouse (consultado a 27/05/2015)
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